Logotipo do LAC — Livro Ajustável de Conhecimento
LAC — Livro Ajustável de ConhecimentoPerguntas em travessia, conhecimento em evolução.
Especificação funcional
Arquitetura funcional da Máquina de Conhecimento

Modelo Funcional do Motor de Inferência do LAC

Especificação das funções, atores, eventos, casos de uso, estados, decisões, interfaces e critérios de aceitação do subsistema responsável por produzir inferências no LAC.

1. Visão geral funcional

O Motor de Inferência recebe uma demanda contextualizada, recupera conhecimentos relevantes, aplica mecanismos de raciocínio e produz uma entrega justificável.

Função central: converter uma demanda, acompanhada de contexto e objetivos, em uma conclusão, recomendação, hipótese, decisão, alerta, classificação ou próxima ação, preservando evidências, rastreabilidade, incerteza e possibilidade de validação.
ReceberDemanda, evento, pergunta ou estado de jornada.
InterpretarIntenção, contexto, papel, domínio e restrições.
InferirRegras, grafos, algoritmos, semântica e IA.
Entregar e registrarResultado, evidências, confiança e próxima ação.

2. Escopo funcional

O modelo define o que pertence ao Motor de Inferência e o que permanece sob responsabilidade de outros componentes.

Incluído no escopo

  • receber e normalizar demandas;
  • interpretar contexto e intenção;
  • recuperar conhecimentos relevantes;
  • selecionar mecanismos de inferência;
  • aplicar regras, consultas e modelos;
  • comparar alternativas e compor resultados;
  • explicar, registrar e encaminhar a inferência.

Fora do escopo direto

  • produção editorial completa das páginas;
  • administração física dos bancos de dados;
  • autorização final de decisões críticas;
  • curadoria definitiva do patrimônio de conhecimento;
  • gestão geral das jornadas e demandas;
  • execução material das ações recomendadas.
O motor pode propor uma ação, alteração ou incorporação ao LAC, mas a autorização depende dos níveis de autonomia e das políticas de governança aplicáveis.

3. Atores e participantes

Os atores podem ativar, apoiar, validar, supervisionar ou consumir uma inferência.

Usuário da jornada

Formula uma pergunta, apresenta uma demanda ou recebe uma entrega ajustada ao seu papel e contexto.

Autor ou gestor

Define objetivos, valida inferências, ajusta regras e decide sobre incorporação ao patrimônio do LAC.

Curador

Avalia consistência, qualidade, fontes, relações e validade do conhecimento produzido ou proposto.

Agente de IA

Interpreta linguagem, pesquisa relações, produz hipóteses, sintetiza e elabora explicações.

Máquina de Conhecimento

Orquestra o ciclo, mantém estados e coordena os demais subsistemas envolvidos.

Fontes e repositórios

Fornecem páginas, objetos, grafos, metadados, evidências, regras e registros anteriores.

4. Eventos que ativam o motor

A inferência pode ser iniciada por uma ação humana, um evento do sistema ou uma mudança detectada no estado do conhecimento.

IDEventoOrigemResultado esperado
EV-INF-001Pergunta formuladaUsuário, autor ou agenteProduzir resposta contextualizada.
EV-INF-002Demanda registradaGestão de demandasClassificar, priorizar e encaminhar.
EV-INF-003Jornada iniciada ou alteradaSubsistema de jornadasDeterminar próxima etapa ou objeto relevante.
EV-INF-004Novo objeto de conhecimento criadoAutor, curador ou agenteRelacionar, classificar e avaliar impacto.
EV-INF-005Conflito ou inconsistência detectadaValidação, auditoria ou grafoGerar alerta, hipótese e encaminhamento.
EV-INF-006Lacuna de conhecimento identificadaMotor, usuário ou curadorPropor pesquisa, criação ou revisão.
EV-INF-007Prazo, condição ou limiar atingidoAgente, rotina ou monitoramentoGerar alerta ou acionar regra.
EV-INF-008Validação ou correção recebidaHumano autorizadoAtualizar resultado, estado e histórico.

5. Funções do Motor de Inferência

As funções são organizadas em um ciclo funcional contínuo, desde a recepção da demanda até o registro do resultado.

1

Receber demanda

Capturar pergunta, evento, parâmetros, origem e identificador da jornada.

2

Normalizar entrada

Estruturar termos, entidades, formatos, idioma, domínio e intenção inicial.

3

Construir contexto

Reunir papel, perfil, histórico, restrições, objetivos e estado da jornada.

4

Recuperar conhecimento

Consultar objetos, páginas, grafos, metadados, regras, evidências e registros anteriores.

5

Planejar inferência

Selecionar mecanismos, sequência, fontes e critérios adequados à demanda.

6

Executar inferência

Aplicar regras, consultas, cálculos, relações semânticas e modelos de IA.

7

Avaliar resultados

Comparar alternativas, verificar consistência, relevância, confiança e riscos.

8

Compor entrega

Produzir resposta, recomendação, hipótese, classificação, alerta ou próxima ação.

9

Explicar

Apresentar evidências, regras aplicadas, limitações, alternativas e grau de confiança.

10

Solicitar validação

Encaminhar a inferência a um responsável quando o risco ou a autonomia exigirem.

11

Registrar

Persistir entrada, contexto, processo, resultado, versão, responsável e decisão.

12

Atualizar jornada

Informar novo estado, abrir próxima etapa, criar tarefa ou registrar encerramento.

6. Casos de uso principais

Os casos de uso descrevem comportamentos funcionais que deverão ser implementados e testados.

UC-INF-001 — Responder pergunta contextualizada

Ator principal
Usuário da jornada.
Pré-condição
Pergunta recebida e contexto mínimo disponível.
Fluxo principal
Interpretar intenção; recuperar conhecimentos; inferir; compor resposta; explicar e registrar.
Pós-condição
Resposta entregue e inferência associada à jornada.

UC-INF-002 — Recomendar próxima etapa da jornada

Ator principal
Máquina de Conhecimento.
Pré-condição
Jornada ativa e estado conhecido.
Fluxo principal
Avaliar objetivo, entregas anteriores, lacunas, regras e dependências; ordenar alternativas.
Pós-condição
Próxima etapa recomendada, com justificativa.

UC-INF-003 — Identificar lacuna de conhecimento

Ator principal
Motor de Inferência ou curador.
Pré-condição
Demanda sem cobertura suficiente na malha.
Fluxo principal
Comparar conhecimento necessário com conhecimento disponível; classificar a lacuna.
Pós-condição
Lacuna registrada e ação de pesquisa, criação ou revisão proposta.

UC-INF-004 — Classificar objeto de conhecimento

Ator principal
Autor, curador ou agente.
Pré-condição
Novo objeto ou objeto alterado disponível.
Fluxo principal
Analisar conteúdo e metadados; localizar conceitos; comparar taxonomias e relações existentes.
Pós-condição
Classificação e relacionamentos propostos para validação.

UC-INF-005 — Detectar inconsistência

Ator principal
Validador, grafo ou rotina de auditoria.
Pré-condição
Duas ou mais afirmações, regras ou relações comparáveis.
Fluxo principal
Detectar conflito; recuperar fontes; estimar impacto; gerar hipótese de correção.
Pós-condição
Alerta registrado e revisão encaminhada.

UC-INF-006 — Priorizar demanda

Ator principal
Gestor do LAC.
Pré-condição
Demanda registrada com critérios mínimos.
Fluxo principal
Aplicar critérios de impacto, urgência, dependência, esforço e valor para a jornada.
Pós-condição
Prioridade calculada, explicada e registrada.

UC-INF-007 — Solicitar validação humana

Ator principal
Motor de Inferência.
Pré-condição
Risco, novidade, conflito ou baixa confiança detectados.
Fluxo principal
Identificar autoridade; preparar evidências; encaminhar inferência; aguardar decisão.
Pós-condição
Inferência validada, rejeitada, corrigida ou devolvida.

UC-INF-008 — Incorporar correção

Ator principal
Autor, curador ou gestor autorizado.
Pré-condição
Correção validada e autorizada.
Fluxo principal
Atualizar registro; versionar regra, relação ou objeto; reavaliar inferências dependentes.
Pós-condição
Conhecimento atualizado e dependências sinalizadas.

7. Estados do ciclo de inferência

Cada inferência possui um ciclo de vida próprio, distinto do ciclo de vida da jornada e do objeto de conhecimento.

Recebida

A demanda foi registrada, mas ainda não foi interpretada.

Contextualizando

O motor reúne intenção, papel, jornada, domínio e restrições.

Recuperando

Conhecimentos, regras e evidências estão sendo localizados.

Planejada

O método, as fontes e os critérios de inferência foram definidos.

Em execução

Regras, consultas, cálculos ou modelos estão sendo aplicados.

Em avaliação

Resultados são comparados quanto a coerência, risco e confiança.

Aguardando validação

A inferência necessita de decisão humana ou autoridade superior.

Validada

O resultado foi aceito para uso no escopo autorizado.

Rejeitada

O resultado foi recusado, com motivo registrado.

Entregue

O resultado foi apresentado ao ator ou subsistema destinatário.

Registrada

O processo e o resultado foram persistidos para auditoria.

Cancelada

A inferência foi interrompida por falta de dados, autorização ou relevância.

8. Transições principais

As transições controlam o fluxo e evitam que inferências incompletas sejam apresentadas como resultados validados.

OrigemEvento ou condiçãoDestinoAção obrigatória
RecebidaContexto mínimo disponívelContextualizandoIdentificar intenção, ator e jornada.
ContextualizandoContexto suficienteRecuperandoGerar consulta de conhecimento.
ContextualizandoContexto insuficienteCancelada ou aguardando complementoRegistrar lacuna de contexto.
RecuperandoConhecimento mínimo localizadoPlanejadaSelecionar mecanismos e critérios.
RecuperandoNenhum conhecimento suficienteEm avaliaçãoClassificar como lacuna de conhecimento.
PlanejadaPlano autorizadoEm execuçãoExecutar mecanismos definidos.
Em execuçãoResultado produzidoEm avaliaçãoVerificar coerência, risco e confiança.
Em avaliaçãoRisco baixo e autonomia suficienteValidadaRegistrar validação automática permitida.
Em avaliaçãoRisco alto, conflito ou baixa confiançaAguardando validaçãoEncaminhar evidências e alternativas.
Aguardando validaçãoAprovaçãoValidadaRegistrar responsável e decisão.
Aguardando validaçãoRejeiçãoRejeitadaRegistrar motivo e possível correção.
ValidadaEntrega compostaEntregueApresentar resultado e explicação.
EntreguePersistência concluídaRegistradaAssociar ao histórico e à jornada.

9. Interfaces funcionais

As interfaces definem como o motor troca informações com os demais componentes sem assumir suas responsabilidades.

Interface com a Gestão de Demandas

Recebe demanda, prioridade inicial, origem, responsável, prazo e critérios de sucesso.

demandaprioridadeprazoresponsável

Interface com Jornadas

Lê estado, objetivo, etapas concluídas, entregas, dependências e próxima ação possível.

estado da jornadaobjetivoetapaentrega

Interface com a Malha e Repositórios

Consulta objetos, grafos, páginas, metadados, regras, evidências e registros anteriores.

MemgraphPostgreSQLHTMLJSONknowgramas

Interface com Agentes de IA

Envia contexto e tarefas delimitadas; recebe hipóteses, sínteses, classificações e justificativas.

prompt contextualrestriçõesresultadoconfiança

Interface com Governança e Autorização

Consulta níveis de autonomia, políticas, responsáveis, riscos e requisitos de validação.

autonomiapolíticariscovalidação

Interface de Entrega

Retorna conteúdo, decisão, alerta, explicação, evidências, próxima ação e identificador da inferência.

respostajustificativaevidênciapróxima ação

10. Regras funcionais iniciais

Estas regras orientam o comportamento do motor. O detalhamento definitivo deverá ser feito no Catálogo de Regras.

IDRegraConsequência funcional
RF-INF-001Toda inferência deve possuir uma demanda identificável.Não executar processos sem origem registrada.
RF-INF-002Toda inferência deve estar associada a um contexto mínimo.Solicitar complemento ou cancelar quando não houver contexto suficiente.
RF-INF-003Conhecimento recuperado deve ser distinguido de conhecimento inferido.Separar evidência, síntese, hipótese e decisão.
RF-INF-004Inferências de alto risco não podem ser validadas automaticamente.Encaminhar para autoridade humana adequada.
RF-INF-005Resultados com baixa confiança devem explicitar incerteza.Evitar apresentação categórica.
RF-INF-006Conflitos entre regras ou fontes devem ser preservados.Gerar alerta e apresentar alternativas.
RF-INF-007O motor deve registrar os mecanismos utilizados.Permitir auditoria e reprodução aproximada.
RF-INF-008A entrega deve ser ajustada ao papel e ao nível da jornada.Adaptar linguagem, profundidade e representação.
RF-INF-009Uma correção validada deve impactar inferências dependentes.Sinalizar necessidade de reprocessamento ou revisão.
RF-INF-010O motor não deve depender de um único modelo de IA.Preservar interfaces substituíveis e arquitetura modular.

11. Tratamento de exceções e falhas

Falhas devem produzir estados controlados, não respostas silenciosamente incompletas.

Contexto insuficiente

Suspender a inferência, registrar a lacuna e solicitar complemento quando necessário.

Conhecimento ausente

Classificar como lacuna e propor pesquisa, criação ou consulta externa.

Fontes conflitantes

Preservar o conflito, apresentar alternativas e exigir validação quando aplicável.

Falha de mecanismo

Registrar o componente indisponível e tentar mecanismo alternativo autorizado.

Baixa confiança

Reduzir autonomia, explicitar incerteza e encaminhar para revisão.

Falta de autorização

Impedir execução ou entrega restrita e encaminhar para a autoridade competente.

Uma falha de inferência não deve ser convertida automaticamente em uma resposta plausível. O motor deve preferir registrar incerteza ou ausência de conhecimento a inventar uma conclusão.

12. Critérios de aceitação funcional

A primeira implementação do motor será considerada funcional quando atender aos critérios abaixo.

Entrada e contexto

  • receber uma demanda identificada;
  • associar a demanda a uma jornada ou contexto;
  • reconhecer ausência de informações essenciais;
  • registrar ator, origem e objetivo.

Recuperação e raciocínio

  • consultar pelo menos um repositório de conhecimento;
  • aplicar pelo menos um mecanismo explícito;
  • distinguir evidência de inferência;
  • detectar ausência ou conflito de conhecimento.

Entrega e explicação

  • produzir resultado compatível com a demanda;
  • indicar evidências e limitações;
  • informar grau ou classe de confiança;
  • propor próxima ação quando pertinente.

Governança e registro

  • respeitar nível de autonomia;
  • solicitar validação em situações de risco;
  • persistir histórico e decisão;
  • permitir rastrear a inferência até a demanda original.
Critério de conclusão: o motor não estará funcional apenas porque gera respostas. Ele estará funcional quando gerar resultados contextualizados, explicáveis, rastreáveis e governados.

13. Dependências para implementação

O modelo funcional pressupõe a existência ou evolução de componentes complementares.

DependênciaFinalidadeSituação esperada
Catálogo de regrasFormalizar condições, prioridades, exceções e ações.Próximo artefato.
Modelo de decisãoDefinir pesos, confiança, risco e conflitos.Após o catálogo de regras.
Registro de inferênciaPadronizar rastreabilidade e auditoria.Necessário antes da implementação.
Arquitetura técnicaDefinir serviços, APIs, bancos e agentes.Derivada deste modelo.
Níveis de autonomiaControlar execução automática e validação humana.Integrar com governança existente.
Malha de conhecimentoFornecer objetos e relações consultáveis.Evolução contínua.

14. Próximos passos

Com o comportamento funcional definido, o próximo documento deve formalizar as regras que orientam esse comportamento.

1

Catálogo de Regras

Definir regras, condições, prioridades, exceções, responsáveis e ações.

catalogo_regras_inferencia_lac.html
2

Modelo de Decisão

Definir critérios, pesos, confiança, conflitos e risco.

modelo_decisao_motor_inferencia_lac.html
3

Arquitetura Técnica

Materializar o modelo em componentes, APIs, bancos, serviços e agentes.

arquitetura_tecnica_motor_inferencia_lac.html